Um dos aspectos que mais preocupa quem está comprando um carro usado ou seminovo é a veracidade da quilometragem registrada no hodômetro. A adulteração de quilometragem, embora seja uma prática ilegal, ainda ocorre no mercado de veículos usados. Felizmente, existem formas de identificar possíveis inconsistências antes de fechar negócio.

Por que a quilometragem é tão importante?

A quilometragem é um dos principais fatores utilizados para avaliar o desgaste de um veículo. Em geral, quanto maior a quilometragem, maior o desgaste de componentes como motor, câmbio, suspensão, freios e pneus. Por isso, a quilometragem influencia diretamente o preço de revenda do automóvel. Veículos com baixa quilometragem costumam ser mais valorizados no mercado, o que pode criar um incentivo para que algumas pessoas adulterem esse dado.

A adulteração de quilometragem é crime?

Sim. A adulteração de hodômetro é considerada crime no Brasil, configurando fraude e podendo enquadrar o responsável no Código de Defesa do Consumidor e no Código Penal. Além da penalidade legal, o vendedor pode ser responsabilizado civilmente pelos prejuízos causados ao comprador.

Como identificar se a quilometragem foi adulterada?

1. Analise o estado do volante

O volante é um dos primeiros componentes a apresentar sinais de desgaste. Observe as regiões de apoio das mãos. Se o revestimento apresentar desgaste excessivo, rachaduras ou perda da textura original com quilometragem baixa, vale investigar. O mesmo vale para veículos com acabamento em couro excessivamente gasto.

2. Analise os pedais

Os pedais de freio, embreagem e acelerador também entregam sinais importantes. Borrachas muito desgastadas podem indicar um uso mais intenso do que a quilometragem registrada sugere. Diferenças muito grandes merecem atenção.

3. Verifique o banco do motorista

O banco é outro excelente indicador. Observe: espuma afundada, laterais deformadas, tecido gasto e couro ressecado ou rachado. Esses sinais devem ser compatíveis com a quilometragem apresentada.

4. Confira o histórico de revisões

Um dos métodos mais confiáveis é consultar o histórico de manutenção. Muitas revisões registram a quilometragem do veículo na data do atendimento. Se um registro antigo indicar uma quilometragem superior à atual, há um forte indício de adulteração.

5. Consulte laudos e históricos do veículo

Hoje existem empresas especializadas que reúnem informações importantes sobre o histórico de um automóvel. Dependendo da base consultada, é possível verificar registros de revisões, inspeções, leilões, sinistros e quilometragens registradas em diferentes momentos. Esses dados ajudam a identificar inconsistências.

6. Observe o estado geral do interior

Além do volante e dos bancos, observe: manopla do câmbio, botões do painel, comandos do ar-condicionado, maçanetas internas e cintos de segurança. Se esses componentes apresentarem desgaste incompatível com a quilometragem, vale aprofundar a investigação.

7. Analise o desgaste dos pneus

Embora pneus possam ser substituídos, eles ainda fornecem informações úteis. Um veículo anunciado com apenas 20 mil quilômetros dificilmente terá pneus completamente desgastados, salvo em condições específicas de uso. Considere esse fator sempre em conjunto com os demais sinais.

8. Faça uma vistoria cautelar

A vistoria cautelar não verifica apenas a estrutura do veículo. Dependendo da empresa responsável, ela também pode identificar inconsistências documentais e outros indícios importantes relacionados ao histórico do automóvel.

9. Desconfie de preços muito abaixo do mercado

Se um veículo apresenta baixa quilometragem, excelente estado de conservação e um preço muito inferior ao praticado no mercado, vale redobrar a atenção. Embora existam boas oportunidades, ofertas excessivamente vantajosas merecem uma análise mais criteriosa.

10. Compre de empresas que prezam pela transparência

Uma das formas mais simples de reduzir riscos é negociar com empresas que tenham boa reputação e trabalhem com processos claros de avaliação dos veículos.

Quilometragem baixa nem sempre significa melhor carro

Esse é um dos maiores equívocos de quem está comprando um veículo. Um automóvel com 120 mil quilômetros, mas que realizou todas as revisões preventivas e foi conduzido principalmente em rodovias, pode estar em condições muito melhores do que outro com apenas 50 mil quilômetros utilizado exclusivamente em trajetos urbanos e sem manutenção adequada. Por isso, a quilometragem deve ser analisada como parte de um conjunto de informações.

Resumo: sinais que podem indicar quilometragem adulterada

Fique atento se houver: desgaste excessivo no volante, pedais muito gastos, banco do motorista deformado, histórico de revisões inconsistente, registros documentais divergentes, desgaste incompatível do interior, pneus incompatíveis com a quilometragem, preço muito abaixo da média e informações contraditórias sobre o histórico. Nenhum desses sinais, isoladamente, comprova uma adulteração. O importante é analisar o conjunto das evidências.

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